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Origens E Reflexões
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Diácono, Professor de Escola Biblica Dominical e Bibliologia do Seminário Vida Nova.

 
   

 

Dia 20 de janeiro é feriado no Rio. Nesta data os portugueses, no século XVI, expulsaram os franceses dessas terras cariocas. Era o dia de São Sebastião, e a cidade, que foi fundada pouco depois foi dedicada ao santo. Por incrível que pareça, nós evangélicos temos muito a ver com São Sebastião, pois temos muito haver com aqueles que deram e dão testemunho de cristo. Antes que você me apedreje ou me tache de herege, leia um pouco sobre a vida desse personagem histórico:

Sebastião nasceu em Narbona (atual Narvonne, França), no final do século III d.C., sendo criado e educado em Milão, Itália. Influenciado pela mãe, desde criança Sebastião se mostrou fervoroso na fé cristã. Adulto, alista-se no exército romano. Ser um soldado nessa época não era fácil para um cristão, pois no exército romano se praticavam muitos ritos pagãos, isto é, se praticava muita idolatria nas solenidades militares. Sebastião destacava-se como um soldado corajoso e passou a fazer parte da guarda pessoal do imperador Diocleciano. Galério, co-regente do Império, influenciado por sua mãe, que praticava feitiçaria, instigou Diocleciano a expulsar do exército todos os cristãos, e depois, acontece a mais terrível e praticamente última perseguição aos cristãos em todo o Império Romano. O alvo não era matar os cristãos, mas forçá-los a renegarem a fé. Isto era feito através de prisões, torturas, queima de templos e das Escrituras Sagradas. Sebastião, convicto de sua fé, ajuda como pode os perseguidos até ser denunciado por um soldado. Diocleciano, que admirava Sebastião, sentiu-se traído e tentou convencer Sebastião a renunciar a Cristo. Sebastião não só não renunciou, como defendeu fervorosamente sua fé. Irado, Diocleciano mandou que Sebastião fosse morto a flechadas. Amarrado em uma árvore, Sebastião é alvejado por uma chuva de flechas, e depois abandonado para sangrar até a morte. Uma cristã chamada Irene, junto com outras mulheres, foram dar sepultura ao corpo, quando então perceberam que ainda estava vivo. Irene cuida das feridas de Sebastião, que um tempo depois, se restabelece e volta a propagar sua fé em Cristo. A convicção de Sebastião em nada esmoreceu, ele se apresentou novamente a Diocleciano pedindo que parasse de perseguir os cristãos; pedido rejeitado. Diocleciano manda espancar Sebastião até a morte com pauladas e bolas de chumbo. Para evitar que Sebastião fosse venerado como mártir, Diocleciano manda jogar o corpo no esgoto. Porém, depois este foi recolhido e sepultado.

No Brasil São Sebastião passou a ser muito popular, sendo lhe dedicadas várias, paróquias católicas e muitos municípios levam o seu nome. Mém de Sá e Estácio de Sá escolheram o dia de Sebastião, 20 de janeiro, em 1567, para expulsar do Rio de Janeiro os franceses e índios Tamoios, os quais foram derrotados em uma única batalha. Daí vem a confusão que geralmente se faz entre esta data (que marcou a posse definitiva dos portugueses das terras cariocas), e a data da fundação da cidade, que ocorreu em anos antes em 1º de março de 1565.

Com o passar dos anos surgiu o culto a São Sebastião. Assim como aconteceu com a Serpente de Bronze, que foi concedida por Deus como instrumento de cura (
Números 21.4-9) e depois foi idolatrada (IIReis 18.4), assim sucedeu com Sebastião, instrumento de Deus, referencial de Deus, modelo de vida, passou a ser venerado. O problema não está em Sebastião, e sim no culto que rendem a ele.

Em algumas regiões do Brasil, São Sebastião é identificado com o orixá Oxosse nos cultos afro-brasileiros. Será que se São Sebastião fosse vivo e pudesse vir a “sua” cidade e presenciar as festas em sua homenagem, ele ficaria contente? Com certeza, não.

Uma das causas que levou Sebastião a morte foi se negar a honrar aos deuses romanos. Com certeza, hoje, S. Sebastião seria totalmente contra a que fizessem uma imagem sua e desfilassem em procissão com ela; seria contra a um culto que faria semelhante a um deus pagão. Evidentemente, aqueles que cultuam a São Sebastião não adoram os deuses romanos, mas prestam a esse cristão notável um culto semelhante. E além do mais, só Deus é digno de toda forma de culto (“Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás.” Mateus 4:10)

Certamente, São Sebastião teria a mesma atitude do anjo do Apocalipse que mostrou as visões divinas a João, que o quis adorar: “E disse-me: Olha, não faças tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus.” (Apocalipse 22.9)

Portanto, homenageemos S. Sebastião lembrando de sua vida de fidelidade a Cristo; mas cultua-lo não!

Quero aproveitar essa data, não para condenar a idolatria, mas para aprender mais com esse cristão que foi Sebastião. Hoje, na Era Gospel, ser cristão parece ser fácil. Parece que é só assistir estudos na Escola Dominical (isto é, quando assistimos e muitas vezes assistimos, mas não estudamos), assistir os cultos, participar das campanhas, levar nossa vidinha...Mas e quando nossa fé ou nossas convicções são desafiadas? E quando as pessoas nos maltratam e ofendem por que cremos e vivemos diferentes delas? Será que suportaríamos, no Brasil, uma perseguição do Estado? Muitas vezes temos medo de falar do Evangelho em casa ou no trabalho, como não teremos medo da força da Tortura?

Sebastião nos inspira a lutarmos, e se necessário for, morrer pela fé, pela justiça e pelo amor cristãos. Até onde vão nossas convicções? Somos crentes “oba-oba”? Vivemos uma batalha espiritual e mesmo que não haja perseguições do Governo existem as investidas do diabo, as paixões carnais que fazem guerra contra a alma ("Amados, peço-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências carnais que combatem contra a alma..." 1Pedro 2.11). Por mais abundante que seja a vida cristã, ela traz consigo a luta contra a carne, o mundo e o diabo. Só que temos as promessas de Deus.

Nossa vitória é garantida sob as seguintes circunstâncias: “E eles o venceram pelo sangue do cordeiro e pela palavra do seu testemunho; e não amaram as suas vidas até a morte. Por isso, alegrai-vos, ó céus, e vós que neles habitais”. Apocalipse 12.11,12.

Por isso podemos, embora evangélicos, nos identificarmos com São Sebastião; não para cultuá-lo, mas para refletir no seu exemplo de vida.

Graça e Paz!

Dc. Joalsemar Araújo.