Tradicionalmente, o Natal é
a celebração do aniversário de Jesus Cristo.
Todos sabemos que Jesus não nasceu em 25 de dezembro e
que a Igreja antiga aproveitou esta data para substituir uma festa
pagã de adoração ao sol que se realizava
neste dia e estava arraigada na vida do povo. Para alguns foi
uma visão estratégica dos antigos líderes
cristãos; para outros foi um horrível sincretismo
com o paganismo.
Mas independente do ponto de
vista, o fato é que o Natal se consolidou como uma festa
da Cristandade. Nesta época, cristãos autênticos,
cristãos nominais e não cristãos são
alcançados pelas festividades, símbolos e as narrativas
do nascimento de Cristo. Sendo assim, considero o Natal uma excelente
oportunidade para evangelizar, para se convidar pessoas aos cultos,
onde geralmente as tradicionais cantatas e peças de Natal
são um forte atrativo para visitantes ouvirem a mensagem
do Evangelho. Aceitando-se ou não, armam-se os presépios,
os quais retratam o nascimento do Deus-homem; querendo ou não,
Jesus passa a ser comentado, discutido, amado e injuriado: ninguém
fica indiferente. Até que chega o Papai Noel.
Jesus é o "aniversariante",
mas hoje a principal pessoa da festa é um velhote gordo,
bonachão, vestido de vermelho cuja única expressão
intelectual conhecida é: "ho, ho, ho, ho!". Percebe-se
que ele tem muito a nos dizer.
A lenda do Papai Noel originou-se
em fins do século XVII na Inglaterra e foi popularizada
nos Estados Unidos pelo escritor Clement Moore em sua obra Visit
from St. Nicholas (1822). A tradicional imagem do "bom"
velhinho foi imortalizada pelo cartunista Thomas Nast em 1863.
Com o aumento da influência dos Estados Unidos sobre o mundo,
tradicionais figuras do inverno do hemisfério norte (renas,
trenós, pinheiros, neve, nozes, etc.) foram transportadas
para os Trópicos, nos quais, em pleno verão, países
como o Brasil cometem a incoerência de aderir a essas imagens
que vêm de um inverno que não tem nada a ver com
o clima tropical.
As raízes da lenda do
Papai Noel remontam a Nicolau, bispo de Mira, cidade da Ásia
Menor (atual Turquia), no século IV d.C. Nicolau se notabilizou
pela grandeza de seu caráter que se mostrava pelo cuidado
com os pobres, necessitados e que costumava dar presentes caritativos
às escondidas. Após sua morte, muitas lendas surgiram
em torno dele até se configurarem no velho Noel.
Entendo que seria mais benéfico
divulgar a história do bispo Nicolau e de sua ajuda ao
próximo do que a fantasiosa figura do Papai Noel. Hoje
o que domina o período natalino é mais um consumismo
desenfreado do que o amor ao próximo.
E pior: a cada ano o Aniversariante
vem sendo mais esquecido. Há pouco tempo atrás,
a Mídia falava mais sobre Jesus. Na TV sempre passava algum
filme bíblico, em especial o clássico "Rei
dos reis" com Jeffrey Hunter. Agora, em pleno Natal, tais
filmes ou menções a Jesus são raras na Mídia,
enquanto a figura do papai Noel cresce em divulgação.
As crianças aprendem a esperar a vinda do Papai Noel, mas
não aprendem a esperar a vinda de Cristo! E depois queremos
saber porque os nossos adolescentes não obedecem mais aos
pais, isto quando não os roubam ou matam.
Papai Noel pra lá, Papai
Noel pra cá, e o Aniversariante está sendo expulso
de sua própria festa!!! Celebra-se a festa, mas não
se parabeniza o Aniversariante!!! Mas será que Jesus e
sentiria a vontade em nossas festas natalinas? Será que
elas são assim tão impregnadas do espírito
natalino? Nem as tradicionais músicas natalinas são
mais executadas! Em plena festa de Natal se tocam pagodes e funks!
Bebedeiras, orgias, adultérios, brigas, roubos, opressões
são realizadas no Natal. Não adianta se Jesus não
nascer na manjedoura do nosso coração, o Natal não
passará de uma farsa sócio-religiosa da qual ele
não participa.
O Natal pode ser uma festa
linda se ele for vivido antes e depois do dia 25 de dezembro.Reflita:
Jesus está presente no seu Natal? Ele tem se agradado de
sua vida?Se ele é o aniversariante dê o presente
que ele quer receber: "Dá-me, filho meu,
o teu coração, e os teus olhos se agradem dos meus
caminhos", Provérbios 23.26. Se Jesus
está de fora de sua festa de Natal leia o que ele te diz:
"Eis que estou à porta, e bato; se alguém
ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei
com ele e ele comigo" Apocalipse 3.20.
Que assim seja em nossa vida,
pois "bate o sino/pequenino/sino de Belém/já
nasceu Deus-menino/para o nosso bem".
Graça e Paz!!!
Joalsemar Araujo