“AS IGREJOLAS” - Reflexão
sobre Assistência Social
Em matéria publicada em O DIA Online (“Dom Eusébio
ataca o Estado” de Priscilla Almawy, em 11/6/04) encontramos
palavras do arcebispo católico do Rio de Janeiro, Dom Eusébio
Scheid, sobre as quais quero comentar.
Compartilho com o Cardeal a revolta pela insegurança que
infelizmente tem se intensificado em nosso Estado, mas em suas
críticas ao Governo, D. Eusébio também criticou,
segundo a reportagem, eventos religiosos que arrecadam dinheiro
e declarou o seguinte:
“A Igreja Católica se preocupou em doar aos necessitados.
As aglomerações que promovem essas igrejolas, ao
contrário, só se preocupam em receber”.
Creio que D. Eusébio perdeu uma boa oportunidade de ficar
calado. Com “igrejolas” terá ele querido dizer
o quê? Ele poderia ser mais explícito ao que estava
se referindo, mas posso supor que se trate das igrejas evangélicas.
É louvável a ação católico
romana, que desde longa data, vem assistindo inúmeros necessitados,
porém não pode ser esquecido que as igrejas evangélicas
também fazem isso.
Nós do Projeto Vida Nova, embora, pela graça de
Deus, tenhamos nos destacado na área da Música e
no ministério da Pregação, procuramos cumprir
a recomendação que a Igreja Antiga deu a Paulo:
“Recomendando-nos somente que nos lembrássemos dos
pobres, o que também procurei fazer com diligência”.
Gálatas 2.10.
Todo primeiro sábado de cada mês, na igreja de Irajá,
temos uma “aglomeração”, nossa programação
voltada para a juventude, o JPC (Juventude para Cristo), onde
se apresentam diversos grupos musicais e onde se tem também
debates sobre temas atuais numa linguagem voltada para o público
jovem. A entrada é um quilo de alimento não perecível.
Sempre que celebramos a Santa Ceia, no primeiro domingo de cada
mês, os membros da igreja, de acordo com sua classe na Escola
Dominical, trazem quilos de alimento não perecível.
Os alimentos arrecadados são remetidos ao nosso departamento
de Assistência Social que auxilia dezenas de famílias
necessitadas. Essas famílias também são orientadas
a não se conformarem com a situação em que
estão, e devem estar sempre procurando melhorar sua situação,
procurando trabalho, estudando, etc. para que não fiquem
eternamente nessa condição por comodidade. Além
disso, temos o PROVIN (Projeto Vida Nova para as Nações)
que é um trabalho missionário desenvolvido e executado
pelo Seminário Vida Nova. As localidades visitadas, além
da palavra de Deus, recebem: atividades recreativas para crianças,
competições esportivas, aplicação
de flúor, educação bucal, cortes de cabelos,
verificação da pressão arterial, distribuição
de roupas e alimentos, evangelismo pessoal e infantil, visitas
domiciliares e apresentação de uma peça teatral
evangelística.
Estamos, com certeza, muito aquém do que deveríamos
fazer, mas estamos caminhando, e com a graça de Deus, conseguiremos
mais.
Portanto, quando nos aglomeramos, não o fazemos só
para receber como diz D. Eusébio Schneid.
Outras denominações evangélicas tem exercido
sua assistência social de maneira muito excelente. Para
exemplificar vejamos uma notícia muito boa do site a Igreja
Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (www.ieclb.org.br):
Convênio beneficia 40 famílias em Porto Alegre -
Quarta, 14 de abril de 2004 - 13h49min
Na tarde do dia 12 de abril a Comunidade Evangélica de
Porto Alegre assinou um convênio com a Fundação
de Assistência Social e Cidadania (FASC) que beneficiará
40 famílias em situação de vulnerabilidade
social. O convênio faz parte do Programa Família,
desenvolvido pela Prefeitura Municipal e será realizado
através do Centro Diaconal Evangélico Luterano,
Cedel, que receberá mensalmente R$ 2.963,50 para realizar
o trabalho por meio do Núcleo de Assistência Social
Familiar, Nasf. O prefeito João Verle, que esteve presente
na assinatura afirmou que ``as parcerias entre Governo Municipal
e entidades da sociedade civil são fundamentais para o
poder público enfrentar os problemas sociais existentes
na Capital: seria impossível se estivéssemos sozinhos
.” Nesta mesma direção, a coordenadora do
Cedel, Eloí Peter, declarou que acredita “na construção
a partir da participação das pessoas, o Cedel é
fruto de participação de uma comunidade, de voluntários,
das crianças, equipe e parcerias, portanto, as famílias
terão um papel importante na busca de melhorias para a
suas comunidades”.
O Cedel realiza um trabalho com a comunidade, atendendo 82 crianças
e adolescentes entre 7 e 14 anos, em horário inverso ao
escolar. "Apenas no Centro já atendemos 150 famílias
com o Nasf, além de 40 famílias do Programa de Erradicação
do Trabalho Infantil e outras 40 do Programa Família Cidadã.
No total, existem 1.285 Nasfs em toda a cidade.” -lembra
Eloí Peter, falando sobre a atuação do Cedel.
Na cerimônia de assinatura desta parceira estavam presentes
também a presidente em exercício da Fasc, Silvia
Regina Ramirez e diversos representantes da região Centro,
dos Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente
e da Assistência Social, Conselheiros do Orçamento
Participativo de Porto Alegre, do Centro Regional de Assistência
Social da Região Centro, da Comissão Regional de
Assistência Social e lideranças da comunidade.
A assistência social evangélica, porém, é
pouco divulgada na Mídia. Isso não é estranho?
A ação social católica tem um certo destaque
na Imprensa (o que às vezes faz parecer que só a
Igreja Romana faz isso), enquanto a ação social
evangélica é negligenciada.
Creio que a Igreja Romana não faz ação social
para aparecer na Mídia, e nós evangélicos
devemos continuar a fazer o bem sem nos preocuparmos com o destaque
que a Mídia nos dá.
Se existem “igrejolas” que se aglomeram só
para receber, existem Igrejas que, embora não submetidas
ao Clero Romano, se ajuntam para promover o bem social.
E como diz Paulo: “Não cansemos de fazer
o bem” (Gálatas 6.10).
Graça e Paz!
Joalsemar Araújo.