O lançamento do filme Maria,
Mãe do Filho de Deus traz à mídia questões
fundamentais que separam os evangélicos dos católicos.
A questão não é a liturgia.
Os evangélicos são bem diversificados quanto a isso.
O cerne do problema não é a terminologia, a indumentária
dos líderes, a visão sobre questões não
essenciais. A questão é: a Igreja Católica
Romana insiste em colocar outro fundamento à fé
cristã: Maria de Nazaré, mãe de Cristo.
A revista Veja número 1823, na matéria
Os Católicos contra-atacam, de Marcelo Marthe e Ricardo
Valadares, mostra o “x” da questão: “A
devoção a Nossa Senhora é uma característica
exclusiva do catolicismo. Nenhuma religião evangélica
partilha desse culto, há os que são hostis a ele,
como mostrou o chocante episódio em que o pastor da Igreja
Universal do Reino de Deus, durante um programa de televisão,
chutou uma imagem da Virgem. Por causa disto, e porque a mãe
de Deus é uma figura conciliadora, que evoca doçura
e paciência, o marianismo vem sendo uma peça importante
em todas as estratégias de catequização dos
católicos (...) Curiosamente, os evangelhos não
são muito ricos em informações sobre a Virgem.
Seu papel diminui na narrativa à medida que o de Jesus
cresce”.
Sobre a citação acima, extraída
da Veja on-line, teceremos alguns comentários:
1 – A devoção a Maria não
é exclusividade da Igreja de Roma. As igrejas ortodoxas
também têm sua devoção, embora não
aceite certos dogmas romanos, como a assunção de
Maria. Embora não seja a única, a Igreja Católica
Romana é a que mais exalta Maria e lhe presta na prática
(embora a teologia católica insista que não) um
culto que só é devido a Deus. O papa João
Paulo II adotou com lema a expressão latina TOTUS TUUS,
MARIA (Totalmente teu, Maria). Maria é o centro do culto
católico. Sem o culto a Maria, o catolicismo não
subsiste; e totalmente identificado com o culto à mãe
de Jesus, o que faz dela seu fundamento;
2 – Por outro lado, enquanto os católicos
cultuam Maria, muitos parecem ignorá-la. Quase não
se ouve sermões sobre ela (em 12 anos de evangélico
só ouvi dois). Fala-se em José, Josué, Gideão,
Pedro, Moisés (como você já percebeu, homens).
Até mesmo em culto voltado para mulheres Maria não
é muito referida. “ABUSUS NON TOLIT USUM”:
O abuso não impede o uso. O abuso sobre a pessoa de Maria
não impede de se pregar a mãe do Filho de Deus como
modelo de vida para homens e mulheres, visto que ela tem muito
a nos ensinar. Ao carregar Jesus no ventre, Maria corria o risco
de ser tachada de adúltera e ao dizer que seu filho fora
gerado pelo Espírito Santo de Deus, seria tachada de blasfemadora:
o resultado seria a morte por apedrejamento e uma fama de maldita.
Porém ela acolheu a sua missão com submissão
e foi bendita entre as mulheres (veja Lucas 1:26-56);
3 – É lamentável o caso
do pastor evangélico que chutou a imagem da Aparecida.
Foi o chute na consciência religiosa da maioria dos brasileiros.
“Não por força, nem por violência”,
já dizia o profeta Zacarias (Zacarias 4:6). Como evangélicos
não gostamos das violências e descriminações
sofridas neste mais de um século de protestantismo no Brasil.
Porém uma coisa fique clara: o chute não foi em
Maria; e sim na religiosidade dos católicos. Ofensa por
ofensa, prestar culto a Maria, biblicamente falando, é
muito mais ofensivo a ela e a Deus do que chutar sua pretensa
imagem. Mas isso não nos dá base para agredirmos
ninguém;
4 – A Bíblia é clara: ”Quanto
ao fundamento, ninguém pode colocar outro diverso do que
foi posto: Jesus Cristo” 1 Coríntios 3:11.
A simples leitura do Novo Testamento mostra que nada se compara
com o culto a Maria, como a própria matéria constata,
não há muitos informes sobre Maria e muito menos
sobre um culto prestado a sua pessoa. O problema não é
homenagear Maria; o problema é cultua-la. Jesus disse:
“Ao Senhor teu Deus, adorarás e só
a Ele darás culto” Mateus 4:10. Cultuar
Maria é desobedecer a Cristo.
5 – Cultuar a Maria por sua doçura
e paciência é ignorar a doçura e paciência
de Jesus. As pessoas se voltam para Maria, pois ela não
tem ensinos que confrontem a vida irresponsável delas.
O que se sabe sobre Maria se baseia na transferência do
lado materno mais agradável para uma pessoa semi-divina,
que ajuda as pessoas independente de suas vidas rebeldes ao Evangelho.
Não é a mãe que todos querem? Que só
ama, dá presente, ajuda e socorre seus atrapalhados e irresponsáveis
filhos?
Deus é amor, mas também é
justo. Ele repreende e disciplina a quem ama (Hebreus 12:5,6).
Quem conhece o amor, a doçura e a paciência de Deus
revelada na cruz do Calvário não precisa de Maria.
Muitos praticam o seguinte pensamento: “É melhor
nos voltarmos para Maria, pois ela não castiga; Deus Castiga!”.
Quanta ignorância do Evangelho.
Conclusão:
- O filme protagonizado pelo padre Marcelo
Rossi veio mostrar que apesar das tendências ecumênicas
do catolicismo o fundamento deles não é Jesus e
sim Maria;
- Nós evangélicos devemos conhecer mais sobre a
mãe de Cristo;
- Não adianta chutarmos imagens, precisamos é chutar,
muitas vezes, nosso ego de “donos da verdade” e sermos
mais semelhantes a Jesus na família, no trabalho e na sociedade
em geral;
- Se ofendi alguém, me perdoe; mas uma coisa eu sei: não
ofendi a Maria.
Concluamos com o único mandamento que
Maria nos deixou: “fazei tudo o que ele (JESUS) vos disser”.
João 2:5.
Graça e Paz
Joalsemar Araújo