INTRODUÇÃO
O final de outubro e o começo de novembro é
assinalado por três comemorações que, embora
distintas, estão muito relacionadas quanto a sua origem,
pois o Dia de Todos os Santos e o Dia de Finados caem respectivamente
em 1º e 2 de novembro por causa do que é comemorado
no dia 31 de outubro: o Halloween.
O Halloween é uma festa folclórica
dos Estados Unidos (por intermédio de imigrantes irlandeses)
na qual as pessoas, mormente crianças, se vestem de bruxas,
vampiros, monstros, etc. e saem de casa em casa pedindo doces
usando o conhecido jargão: “trick or treat”
(engano ou divertimento), geralmente vertido para o português
como “gostosuras ou travessuras”. Isso remete à
origem da festa, na qual se ofereciam alimentos na passagem do
ano celta (31/10) para apaziguar os espíritos dos mortos.
As formas de se comemorar essa “festa”
tem sido variadas, pois muitos têm procurado comemorar essa
tradição em casas ditas mal-assombradas, passando
a noite em cemitérios e também fazendo rituais de
magia negra.
O Halloween tem sido promovido nos EUA e na Europa
pelos sistemas educadores e culturais que promovem danças,
concursos de fantasias e outros projetos artísticos. O
Comércio também tem “festejado” o Halloween
para vender fantasias, doces, abóboras [1] e filmes de
terror. Muitos clubes e danceterias têm oportunidade de
um ganho extra promovendo bailes com as pessoas devidamente trajadas.
Como se já não bastasse o que já
temos da presença da cultura norte-americana a sufocar
a nossa (por exemplo, antigamente a voz do morro era o samba;
agora é o funk e o hip-hop), o Halloween está ganhando
terreno no Brasil, mormente nas grandes capitais, onde o Comércio
e, principalmente, os cursos de inglês são os grandes
promotores dessa tradição. Tais cursos encaram o
Halloween como folclore anglo-americano, porém as origens
dessa tradição demonstram que ela é muito
mais que isso.
UM POUCO DE HISTÓRIA...
O Halloween tem sua origem nas antigas celebrações
de fim de ano dos povos celtas que, na Antiguidade, ocuparam principalmente
as regiões que hoje pertencem a França, Irlanda
e a Grã-Bretanha. Os gálatas mencionados na Bíblia,
e aos quais Paulo dedicou uma de suas cartas, eram um povo celta
[2]. Os celtas eram dirigidos moral e espiritualmente
por uma elite sacerdotal, os druídas, que eram os guardiões
das tradições e religião célticas,
as quais incluíam a crença em vários deuses,
gnomos, bruxas, fadas, adivinhação, etc. Os druídas
serviam de elo de ligação entre as várias
tribos celtas e lhes serviam de adivinhos e conselheiros [3].
No hemisfério norte, o inverno inicia-se
em novembro. Os povos primitivos eram muito sensíveis e
impressionáveis com as estações do ano (por
causa das colheitas) e a mudança de estação
era assinalada por alguma festividade. A chegada do inverno para
os povos célticos representava a passagem de uma época
de prosperidade (dias mais claros e época da colheita)
para uma época de escassez (dias mais escuros e infrutíferos),
de um período de luz para um período de trevas.
Para os celtas a chegada do inverno além de iniciar um
ano novo, lembrava a morte[4].
Sendo assim na noite do último dia do
ano celta, nosso atual 31 de outubro, se comemorava a festa do
Samhain (“fim do sol” ou “fim da luz”).
Os celtas acreditavam que na virada do ano (que começava
no nosso 1º de novembro), havia abertura entre o mundo dos
vivos e o dos mortos, e estes retornariam à terra em busca
de seus familiares e de calor humano. Além de se desejarem
felicidades pela virada do ano, os celtas se dedicavam a adivinhações,
pois se cria que a presença dos espíritos dos mortos
tornavam mais fáceis para os druídas predizer o
futuro e aconselhar o povo com suas “profecias”. Porém
havia também o lado sombrio da festa: acredita-se que bruxas,
fadas e gnomos destruíam as colheitas, roubavam crianças
e matavam o gado; a presença dos espíritos podia
causar prejuízos e confusão às pessoas se
eles não fossem devidamente recebidos. Os celtas reagiam
a isso das seguintes maneiras:
a) Acendiam enormes fogueiras para se sacrificar produtos agrícolas
e animais [5] para apaziguar e afugentar as entidades
hostis e acendiam lanternas para iluminar o caminho dos mortos;
b) Ofereciam comida e vinho do lado de fora das casas que para
os espíritos dos mortos não resolvessem entrar e
em troca das suas “bênçãos”, pois
também tinham medo que os espíritos se vingassem
se não fossem bem recebidos;
c) As pessoas que saíssem de casa após o pôr-do-sol
se vestiam com roupas fantasiosos e máscaras para que os
espíritos as confundisse com outro espírito e não
as levassem para o mundo dos mortos [6].
E assim se marcava a transição de um ano para o
outro na cultura celta.
Na evangelização dos celtas, pelos séculos
IV-VIII da era cristã, os cristãos constataram que
a festa do dia de Samhain, bem como outras festas pagãs,
estava profundamente enraizada na vida desse povo. A estratégia
da Igreja de então foi substituir a festa pagã por
uma festa cristã na mesma época [7].
Sendo assim, em 737, o Papa Gregório III escolheu a data
de 1º de novembro [8] para celebrar a festa
da consagração de uma capela na basílica
de São Pedro (Roma) em honra de Todos os Santos [9].
Em 834 o Papa Gregório IV estendeu a festa a toda Igreja
[10]. Em 908, Odilon, abade do mosteiro de Cluny,
na França, começou a celebrar no dia 2 de novembro
a reza em favor do descanso das almas no Purgatório, o
que também mais tarde foi estendido aos demais cristãos
por outros Papas [11], iniciando-se assim o
que conhecemos como Dia de Finados. Desta maneira procurava-se
“cristianizar” a celebração da vinda
dos espíritos dos mortos praticada pelos druídas.
Portanto, as comemorações católicas
romanas dos dias 1º e 2 de novembro surgiram para combater
a festa de Samhain, que originou o Halloween. Na Inglaterra, o
dia 1º de novembro passou a ser designado por All-hallows
(ou All-Hallowmas) que quer dizer “Todos os Santos”;
e a noite anterior, noite de 31 de outubro, passou a ser chamada
de All-Hallows-Eve, isto é, “véspera de todos
os Santos”, de onde vem a palavra Halloween. Esse período
era celebrado de maneira muito similar ao Samhain com grandes
fogueiras, desfiles e fantasias de santos, anjos e demônios.
O oferecer alimentos aos mortos foi substituído pelo hábito
de os pobres pedirem comida às famílias. Estas lhe
davam um bolo (chamado de soul cakes, bolos da alma) como “gratificação”
pelos pobres rezarem pela alma dos defuntos das famílias.
De tão ligadas que estavam, as três festas eram designadas
por um só nome: Hallowmas!
Apesar da tentativa de sufocar o Samhain com
uma substituição cristã, não foi possível
neutralizar a influência e herança do paganismo celta.
Apesar do trabalho missionário valoroso realizado entre
os celtas por Patrício (conhecido como o Apóstolo
da Irlanda), Columba e pelos abades e monges celtas, a maioria
das conversões, se dava pela conversão do chefe
da tribo; isto é, muitos pagãos celtas e de outros
povos realmente não se convertiam à fé cristã,
mas se conformavam exteriormente aos ritos cristãos, seguindo
o que suas lideranças seguiam. Portanto, as crenças
do paganismo continuaram vivas, mas encobertas, se refugiando,
principalmente nas bruxas e em círculos ocultistas, os
quais durante toda a Idade Média e em diante, mantiveram
suas práticas mágicas, apesar das inquisições
de católicos e protestantes. A noite de 31 de outubro foi
preservada como uma noite muito especial para ritos e encantamentos,
consagrando, dessa maneira, essa data como hoje tem sido conhecida:
o dia das bruxas.
Com o passar dos anos, as festas do Hallowmas
foram caindo em desuso na Europa, porém permanecendo vivas
na Irlanda, País de Gales e Escócia. No século
XIX, imigrantes irlandeses levaram suas tradições
para os Estados Unidos, onde, apesar da maioria das pessoas professar
a fé protestante (que rejeita culto aos mortos, mesmo que
sejam notáveis cristãos), o Halloween tem sido comemorado
com entusiasmo; como a cultura norte-americana exerce forte influência
sobre o mundo, tem essa “festa” sido celebrada até
em países que nada tem a ver com a cultura anglo-saxônica,
como o Brasil.
O forte em nosso país, porém, não
é o Halloween, e sim o Dia de Finados, devido a nossa herança
sincretista luso-católica e afro-espiritualista.
Na crença popular ou folclórica
no Dia de Finados não se pesca e nem se caça. As
almas dos afogados passeiam por cima das águas do mar,
dos lagos, dos rios, dos açudes, das represas. É
o dia em que as almas visitam os lugares onde morreram ou foram
assassinados.
Nessa data milhões de pessoas vão
aos cemitérios chorar seus entes queridos, procurando dar
descanso aos espíritos no Purgatório através
de missas e outros ritos; também nos cemitérios
se realizam sessões afro-espíritas, pois nas religiões
afro-brasileiras 2 de novembro é um dia especial para se
cultuar e cumprir obrigações para com os eguns (espíritos
dos mortos), Omolu, o senhor dos cemitérios, e com Exu
Omolu, chefe da linha de cemitérios na Quimbanda.
Vemos assim que o dia de finados tem a mesma atmosfera espiritual
que deu origem ao Halloween: a invocação dos mortos,
das entidades relacionadas à morte, pactos, adivinhações,
medo da morte e dos “mortos” e acima de tudo falta
de conhecimento do Deus único e verdadeiro.
REFLEXÕES...
Como vimos acima, a celebração do Dia de Todos os
Santos e de Finados é comemorada nos dias 1º e 2 de
novembro devido a tentativa dos cristãos antigos de combater
o paganismo celta da festa do Samhain, que originou o Halloween.
Dessa atitude podemos ponderar o seguinte:
O Estado dos Mortos
Todas as três comemorações estão ligadas
a idéia da sobrevivência dos espíritos humanos
após a morte e sua interferência no mundo dos vivos.
O que a Bíblia tem a nos dizer sobre a vida após
a morte? As Escrituras Sagradas não trazem uma revelação
tão detalhada como continuamente exige nossa curiosidade
humana, mas trazem com clareza tudo o que precisamos saber sobre
esse assunto (Ler Deuteronômio 29.29).
A morte não é o fim de tudo. Realmente
os homens, justos ou injustos, continuam a existir de uma forma
espiritual consciente (Lucas 16.19-31). O Antigo Testamento chama
o “lugar” para onde vão os mortos pelo nome
hebraico de Sheol e o Novo Testamento pelo nome grego de Hades
[12]. Porém, o texto de Lucas 16 mostra que nesse “lugar”
todos não são tratados igualmente, pois há
uma região para os injustos e outra para os justos (vv.22-26).
Deve-se observar, entretanto, que o Novo Testamento deixa claro
que o espírito dos cristãos que morrem não
estão no Sheol/ Hades, mas estão com Cristo e gozam
de um estado de bem-aventurança (Apocalipse 14.13) e “que
é muito melhor” que esta vida (Filipenses 1.24; ver
também Filipenses 1.20-24; 2Coríntios 5.1-4; Apocalipse
6.9-11).
Esses estados são intermediários,
pois o estado eterno em que todos, justos e injustos, viverão
pela eternidade se definirá na segunda volta de Cristo
(Apocalipse 20 ao 22).
O texto da carta aos Hebreus esclarece que após
a morte segue-se o juízo (9.27). Portanto, não existe
salvação depois da morte e nem Purgatório,
já que a Bíblia nem ao menos menciona este lugar
e evidencia que ele é desnecessário, já que
só o sangue de Cristo que nos purga e purifica de todo
pecado (1João 1.7). Portanto missas e rezas pelos mortos
são ineficazes, pois, não podem alterar sua condição
pós-morte; colhemos irremediavelmente na outra “vida”,
o que semeamos nesta.
A Bíblia mostra que Deus abomina a consulta
aos mortos (Deuteronômio 18.11,12), até porque (segundo
os textos bíblicos de Eclesiastes 9.5,6; Salmos 88.10-12;
Isaías 38.18-19; Jó 7:9-10) o ensino geral da Bíblia
é que os mortos não podem voltar e nem interferir
na vida da Terra. O texto de Lucas 16 esclarece mais:
“Respondeu ele: Não! pai Abraão;
mas, se alguém dentre os mortos for ter com eles, hão
de se arrepender. Abraão, porém, lhe disse: Se não
ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão,
ainda que ressuscite alguém dentre os mortos”
(Lucas 16.30-31).
Está implícito no texto que a única maneira
de alguém voltar do Além é ressuscitando
(como de fato testemunham os relatos bíblicos sobre ressurreições)
e não incorporando em alguém ou se manifestando
visivelmente (fantasma) como espírito [13].
Do que foi dito acima, pode-se concluir que as
manifestações do “mortos”, na realidade,
são manifestações de demônios, que
visam enganar o homem aproveitando-se da fragilidade que a morte
de um ente querido traz.
O cristão e a recordação dos mortos
Pelo que foi visto acima é impossível ter contato
com os mortos. Também não devemos rezar por eles
e muito menos prestar culto a alguém que já morreu,
mesmo que seja o mais santo dos homens, pois só Deus é
digno de culto (Mateus 4.10). Isso torna sem sentido o culto prestado
a todos os santos em 1º de novembro. Por isso nós,
evangélicos, não cultuamos os mortos, mesmo os mais
notáveis cristãos. Porém, devemos ficar impassíveis
diante da morte de nossos entes queridos? Devemos sufocar nossos
sentimos? Não. A Bíblia relata como a morte dos
entes queridos sempre foi chorada e sua memória sempre
recordada com carinho, como por exemplo Abraão, Isaque
e Jacó. Quando soube da morte de Saul e de Jônatas,
Davi compôs em homenagem a eles uma elegia (2 Samuel 1.18-27).
Os cristãos do segundo século homenageavam os cristãos
mortos por causa da Fé celebrando um culto a Deus no dia
do seu falecimento e no local onde estes estavam sepultados. Infelizmente
com o passar dos anos, essa homenagem foi se transformando no
culto aos Santos.
Fica então o alerta de que cristão pode recordar
e homenagear os falecidos desde que não quebre nenhum princípio
bíblico.
Evangelismo Estratégico
Essas datas são ocasiões especiais de evangelização,
porém sem tentativas sincretistas. Os princípios
bíblicos são inegociáveis. Embora a Igreja
antiga tivesse boa intenção na sua tentativa de
evangelizar os celtas e cristianizar o Samhain, não deu
aos celtas um ensino bíblico sólido sobre vida após
a morte e se contentou com a conversão em massa de muitos
povos, que, em geral, na realidade não se convertiam, simplesmente
se adequavam a ordem superior vigente. Além disso, a Igreja
nesse período já estava envolta em tradições
e crenças não baseadas na Bíblia, como por
exemplo, o Purgatório.
Portanto devemos aproveitar essas datas para
evangelizar estrategicamente transmitindo a doutrina genuína
do Evangelho, que contém o conhecimento da verdade que
traz libertação.
Graça e paz.
Diácono Joalsemar Araujo
Notas:
1. Nas abóboras são
esculpidas uma face medonha e inserida uma vela, transformando-a
assim na famosa lanterna de Jack, que remete sua origem a lenda
da alma penada de Jack, que, sendo-lhe negada acesso ao Céu
por causa de suas maldades e ao Inferno por ter trapaceado o Diabo,
foi condenada a vagar pela Terra. Para iluminar-lhe o caminho
durante a noite, o espírito de Jack colocou uma brasa num
nabo oco para servir-lhe de lanterna. Posteriormente o nabo foi
substituído pela abóbora.
2. É provável que
o termo “gálata” aplicado por Paulo na epístola
(3.1) inclua também outros povos não-celtas que
faziam parte da província da Galácia.
3. Os druídas foram tenazmente
perseguidos pelo Império Romano devido a sua influência
sobre os celtas, mas mesmo assim os escritores romanos (e gregos)
reconheciam que os druídas possuíam uma elevada
moral.
4. Se os celtas, e outros povos
tivessem seguido ao menos a revelação de Deus dada
através da Natureza (Romanos 1.18ss) não precisariam
temer o inverno, pois saberiam que Deus tem o controle das estações
(Daniel 2.21,22; Atos 14.17)e não os espíritos malignos.
5. Há quem afirme que
praticavam sacrifícios humanos baseando-se no relato de
Júlio César (100-44 a.C.) em sua narrativa sobre
a guerra contra os celtas gauleses e também no fato de
que em monumentos religiosos célticos antigos (dólmens)
existem sulcos, cujo uso se interpreta como para escoar o sangue
das vítimas. Porém, geralmente os historiadores
não dão certeza da prática de sacrifícios
humanos pelos druídas. Os humanos sacrificados seriam prisioneiros
de guerra e criminosos que eram queimados nas fogueiras do Samhain.
6. Desses costumes vem a tradição
das pessoas, geralmente crianças, se vestirem de fantasmas
e monstros e saírem pedindo guloseimas para não
aprontarem travessuras com as pessoas, bem como a atual fogueira
de ossos do Halloween.
7. A comemoração
do Natal em 25 de dezembro é um exemplo disso.
8. Antes dessa data, havia uma
celebração cristã em maio com o intuito de
homenagear os cristãos que haviam sido mortos por causa
de sua fé em Jesus.
9. O Dia de Todos os Santos segundo
a crença católica celebra todos os que morreram
em estado de graça e não foram canonizados, portanto
não têm um dia específico de culto.
10. Nessa época a Igreja
era designada Católica (universal) e seguia duas grandes
tradições: no Ocidente era subordinada ao bispo
de Roma (que tinha a liderança de honra); no Oriente, subordinada
ao bispo de Constantinopla; dessas tradições evoluíram
a Igreja Católica Romana e as Igrejas Ortodoxas (Grega,
Siríaca, Russa, etc.); as Igrejas Protestantes/evangélicas
surgiram no século XVI do rompimento com a Igreja Romana.
11. Dia de Todos os Mortos (ou
Finados) também tem o propósito de celebrar todos
os que morreram e não são mais lembrados.
12. Em algumas versões
em português essas palavras são traduzidas por Inferno,
palavra que vem do latim e que significa “lugar inferior”.
13. Há que entenda, até
teólogos evangélicos, que realmente o espírito
de Samuel se manifestou para Saul (Samuel 28). Porém, essa
passagem deve ser lida à luz dos outros textos bíblicos
que falam do assunto, além do fato de o relato está
escrito num estilo que dá a entender que aquilo aconteceu,
quando na realidade ele descreve a impressão que as pessoas
presentes tiveram durante o fato. De qualquer forma, mesmo que
admita-se que foi realmente o espírito de Samuel que se
manifestou, isto ocorreria por permissão especial de Deus
numa circunstância particular, que não deve ser encarada
como padrão geral e sempre possível.