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Diácono, Professor de Escola Biblica Dominical e Bibliologia do Seminário Vida Nova.

 
   

 

Com A revista científica "New Scientist", uma das mais lidas do mundo, está oferecendo aos seus leitores um prêmio que só pode ser desfrutado depois de morto. Quem ganhar terá seu corpo (ou melhor dizendo, cadáver) preservado em um processo especial para ser revivido séculos mais tarde, quando a Ciência terá atingido o estágio de poder ressuscitar os mortos. Este processo tem por base a criogenia, ou seja, a tese de que se pode congelar as pessoas para poder revivê-las anos mais tarde. O processo criogênico consiste em resfriar o corpo do morto e colocá-lo em nitrogênio líquido. Preservado desta maneira, o corpo estará em condições de ser revivido quando a Medicina tiver condição de fazê-lo.

Porém, a revista "New Scientist" conta com a possibilidade dos seus leitores não quererem este prêmio. Por isso oferece o prêmio alternativo de uma semana no Havaí, incluindo uma visita ao observatório de Mauna Kea.[1]

Qual prêmio você escolheria? Uma semana no Havaí ou ter seu cadáver congelado para ser revivido séculos depois?

Sua resposta vai depender, dentre outras coisas, do grau de fé que você deposita nos cientistas. Os avanços da Ciência nos campos da Genética, da Medicina, da Biologia e tantos outros, parecem dar uma esperança de que o sonho da criogenia seja possível. Mas convém fazer algumas perguntas: Valeria a pena ser revivido? Encontraríamos os nossos entes queridos quando isso ocorresse? Teríamos vida ou existência? Será que o mundo que "os revividos" encontrariam seria um mundo bom para se viver ou eles amaldiçoariam o dia em que retornaram à vida? Cometeriam suicídio? Estas perguntas nos mostram que não basta existirmos, não basta retornarmos à vida física; precisamos saber com que qualidade de vida voltaríamos.
Você gostaria de morrer e quando voltasse a viver, ter a vida que leva hoje?
Independente da qualidade de vida, o homem tem o desejo legítimo de viver para sempre.

Já disse o falecido compositor Gonzaguinha que a vida "é sempre desejada/ por mais que esteja errada/ninguém quer a morte/só saúde e sorte". É isso aí. Por mais complicada que a vida esteja todo mundo a deseja. E a morte, como rainha do estraga-prazer, chega imponente, sem pedir licença, às vezes mandando recado, às vezes vindo de surpresa, dando um basta à vida desejada.

O sábio grego Sófocles (século V a.C.) já se queixava de que embora o homem fosse inteligente e poderoso o bastante para dominar a Natureza, não o era para dominar a morte, da qual nem podia fugir [2].

A Bíblia descreve a morte como "o rei dos terrores" (Jó 18.14), um caçador preparando armadilhas para suas vítimas (Salmo 18.4,5). O medo de morrer é como viver uma escravidão (Hebreus 2.15). O pior lugar para se estar é "no vale da sombra da morte" (Salmo 23.4).

Esta é a morte: o retorno ao pó (Gênesis 3.19), o cessar da respiração (Salmo 104.29), o espírito ficar nu e distante do corpo (2Coríntios 5.3,4,8).
De um modo geral, todas as pessoas, independente de raça, cultura ou religião não querem morrer. Nada mais natural, do que tentar combater e vencer a morte. Os cientistas da "New Scientist" estão tão confiantes que "ummmm diiiia" a ciência humana triunfará sobre a morte.

O que eles não sabem é que a morte já foi vencida. E que existe um prêmio pós-morte e um paraíso melhor do que o Havaí para ser desfrutado.
A revista "New Scientist" não leva em consideração que a morte esteja ligada ao pecado humano, isto é, ao estado de decadência moral e espiritual em que se encontra a humanidade. A morte não é apenas a cessação da vida, mas "é um salário pago aos empregados do pecado"(Romanos 6.23)[3]. A morte não é apenas um incidente biológico, mas uma punição pelo pecado (Gênesis 2.17). Portanto, se o problema moral-espiritual do homem não for resolvido, não tem como o homem viver eternamente. De que adianta nós vivermos para sempre odiando-nos, invejando-nos, oprimidos e oprimindo, escravizados e escravizadores? Para fazermos mais guerras? Mais injustiças? Mais crimes?

A grande notícia que a "New Scientist" se recusa a dar é que a morte foi vencida! Jesus Cristo viveu uma vida sem pecado e, portanto, foi impossível que a morte o segurasse (Atos 2.24). Ele ressuscitou, e sem criogenia!!! Por isso Ele pode declarar: "Estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos, e tenho as chaves da morte e do inferno" (Apocalipse 1.18).

A morte e ressurreição de Jesus Cristo garantem o perdão, justificação e novidade de vida para o homem pecador (Romanos 4.25 e 6.4-11; 1Co 15.17). E olha a tremenda notícia que Ele nos dá: "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra viverá; e todo o que vive e crê em mim, não morrerá eternamente" (João 11.25). Ele não venceu a morte apenas para si, mas para todos quantos crêem nEle. Para aqueles que estão em Cristo, a morte física é como um sono, ou seja , um repouso da vida terrena (Apocalipse 14.13), onde já se desfruta do estar com Cristo (Filipenses 1.23).

Os prêmios oferecidos pela "New Scientist" já são oferecidos por Deus em Cristo há muito tempo: a vida após a morte e uma semana num paraíso havaiano. Enquanto a revista oferece ou um ou outro, Deus nos oferece ambos, e muito mais: "Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida (...) O vencedor de nenhum modo sofrerá dano da segunda morte", Apocalipse 1.10b-11.

"Ao vencedor dar-lhe-ei que se alimente da árvore da vida que se encontra no paraíso de Deus", Apocalipse 1.7b.

"E lhes enxugará, dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram", Apocalipse 21.4
"O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus e ele me será filho. Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte", Apocalipse 21.7,8

Portanto, amigo internauta, saiba que os prêmios da "New Scientist" já são prometidos por Deus através de Cristo a todo o que nele crer. Deus não fez o homem para a morte. Esta é conseqüência do pecado. Através da morte e ressurreição de Jesus Cristo o homem alcança a oportunidade de viver para sempre, e com qualidade de vida plena, livre da morte física e espiritual. Jesus venceu a morte; os cientistas, não. Dê crédito a quem tem poder de garantir o que promete. Entregue sua vida a Cristo, e você conhecerá o sentido profundo da pergunta: "Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?", 1Coríntios 15.55.

[1] Como noticiado no Folha OnLine de 19/09/02, seção "Ciência". Certos aspectos
da criogenia e suas implicações foram abordados no filme "O Demolidor" com Sylvester
Stalone e Wesley Snipes;
[2] Em "Antígona", I, 333-375. Conforme citado por D. Estevão Bittencourt em
"Pergunte e Responderemos" no. 395, p. 145, Edições Lumen Christi, 1995;
[3] James I. Packer em "Imortalidade", R. P. Shedd e A. Pieratt, editores, p.120,
Edições Vida Nova, 1992;

Graça e Paz.

Joalsemar Araújo