A iminência de mais uma guerra entre
os EUA e o Iraque tem agitado o globo e colocado todo o mundo
preocupado. Afinal de contas, se esta guerra ocorrer não
vai afetar apenas os norte-americanos e os iraquianos. O dólar
subirá, os preços aumentarão, empresas irão
fechar, e muitos trabalhadores na rua vão ficar. Os economistas
e políticos debatem medidas preventivas, mas nada que garanta
o controle da situação. Estes fatores nos preocupam,
e muito! E frustram também. Geralmente começamos
o ano fazendo planos, estabelecendo metas, criando expectativas.
E em virtude de uma guerra em terras distantes, nossos planos
podem, não apenas deixar de acontecer, mas, pior ainda,
pode haver um retrocesso da posição que ocupamos
hoje. Todos são afetados. Do mais "pós-pós-pós-graduado"
ao mais singelo camelô semi-analfabeto.
Porque tem que haver guerras? Tantos prejuízos,
tantas mortes, tantas desgraças.
O conflito do homem com o homem acompanham a história humana
desde os seus primórdios (vide Caim e Abel, Gênesis
4). Desde a Antigüidade, os filósofos de todas as
culturas discutem sobre a guerra: Existe guerra necessária?
Existe guerra justa? Existe guerra "santa"? Os pacifistas
radicais são totalmente contra. Alguns pensadores acham
que, às vezes, a guerra é necessária para
se manter a paz: Se vis pacem para bellum¹ . Seria
um mal menor, para superar um mal maior. Mas qual o motivo principal
das guerras?
Neste momento, é muito propício
ouvirmos as palavras de um sábio judeu chamado Tiago, o
irmão de Jesus. Ele assim nos diz em sua epístola:
"De onde vêm as guerras e contendas que há entre
vocês? Não vêm das paixões que guerreiam
dentro de vocês? Vocês cobiçam coisas, e não
as têm; matam e invejam, mas não conseguem obter
o que desejam. Vocês vivem a lutar e a fazer guerras. Não
têm, porque não pedem. Quando pedem não recebem,
pois pedem por motivos errados, para gastar em seus prazeres"
(Tiago 4.1-3²).
Sem entrar no mérito de quem está
certo em uma guerra, se é o que ataca ou o que se defende,
a causa básica de uma guerra são as guerras interiores
no íntimo de cada ser humano, os sentimentos de cobiça,
sentimentos de possuir, custe o que custar. É legítimo
termos o desejo de ver nossas necessidades atendidas. Tiago reconhece
isto, e aconselha: Peçam a Deus! E muitos pedem a Ele,
mas para viver em função de si mesmos, fazendo de
Deus uma mera entidade-realizadora-de-pedidos (ou se você
preferir, gênio da lâmpada).
Esta causa básica, não se manifesta
apenas no nível das lutas bélicas entre nações.
A guerra internacional ou a guerra civil são reflexos do
estado interior de cada indivíduo, mesmo que este nada
tenha a ver com a vida militar ou ideológica de uma guerra.
A eterna teimosia humana de buscar a satisfação
na vida fora da dependência de Deus é o que gera
cada guerra. Desde as guerras militares, até as que vemos
no nosso cotidiano. Alguns, para conseguir um emprego, mentem,
falsificam documentos, subornam, etc. Depois que conseguem, para
manter-se neste emprego, lutam contra tudo e contra todos que
possam tomá-lo. É legítimo buscar permanecer
em um emprego? Claro que sim. Mas alguns, para isso fazem calúnias,
adulam (verbo mais erudito do que "puxa-sacar"), usam
de desonestidade, etc. Se isto se manifesta num singelo ambiente
de trabalho, isto não vai se manifestar no âmbito
nacional e internacional?
Infelizmente isto se manifesta até
no meio da Igreja. Quantas disputas de cargos? Quantas manipulações
de assembléias? Quantos donos da verdade?
Aquilo que Tiago diz se aplica em todas as
áreas da vida, até por que, aquilo que somos, leva
para nossa família, igreja, trabalho, etc.
Na realidade precisamos ter confiança
de que Deus guarda o que é nosso. Entendermos que devemos
trabalhar com santidade, confiando em sua graça e providência,
para obtermos uma melhor qualidade de vida. Sentir-se seguro em
Deus é a chave para não nos desesperarmos, quando
pessoas ou circunstâncias vêm nos ameaçar.
Uma solução para as guerras?
Minha resposta pode ser muito simplista, mas creio ser verdadeira:
Se todo homem resolvesse seu estado de inimizade com Deus, também
resolveria sua inimizade com o próximo. Sem salvação,
não há paz.
A iminência de uma guerra está
aí. Isto não surpreende aqueles que conhecem a Bíblia.
Jesus disse que o final dos tempos seria turbulento, havendo guerras
e rumores de guerras; mas ainda não é o fim. E enquanto
o fim não chega façamos o que ele nos ordenou: pregar
o evangelho a todos e até o fim (Mateus 24.6,7,14).
"Como são belos, sobre os montes,
os pés do mensageiro que anuncia a paz, do que proclama
boas novas, do que diz a Sião: O teu Deus Reina" .
Isaías 52.7
Graça e Paz!
¹"Se queres a paz, prepara-te
para a guerra".
²Tradução segundo a Nova Versão Internacional.
Joalsemar Araújo