“Rogai por nós pela
Igreja inteira Madre Paulina é a Santa Brasileira”
Com esta estrofe cerca de 2500 brasileiros (entre eles o Presidente
Fernando Henrique Cardoso, a primeira-dama e uma comitiva de políticos)
festejaram a canonização de Amabile Lúcia Visintainer (1865-1942),
agora, Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus, a primeira
santa católica brasileira.
A canonização é o reconhecimento oficial feito pelo Papa, após
o devido processo, de que determinada pessoa falecida seja inscrita
no cânon ou catálogo dos santos. Autorizando, desse modo, a veneração
por parte dos fiéis católicos a pessoa canonizada, a qual é tida
como exemplo de vida e digna de culto.
O culto aos santos não tem origem nos cultos descritos no Antigo
e Novo Testamentos; antes assemelha-se ao culto aos heróis que
havia na cultura greco-romana. No século II dC. alguns cristãos
homenageavam a memória daqueles que haviam morrido pela fé em
Cristo. No decorrer dos anos esta homenagem foi desenvolvendo-se
em forma de veneração e passou a incluir além dos mártires, pessoas
cujas vidas servira de exemplo como os ascetas, confessores e
virgens religiosas. No século IV quando o cristianismo, além de
legalizado, foi elevado à religião do Império Romano, a massa
pagã, que não experimentou uma genuína conversão, se identificou
com o culto aos santos e o estimulou. No século VIII os imperadores
da parte oriental do Império procuraram acabar com a veneração
das imagens dos santos; só que esta estava muito enraizada na
crença popular e na de vários teólogos devido ao conceito de que
os santos eram mais poderosos intercessores pois já estavam na
Glória Celestial. Evidentemente que esta forma de culto não desenvolveu-se
sem contestação.
Muitos cristãos e até mesmo pagãos criticavam a veneração aos
santos.
Pelo século XII cabia aos bispos ou a aclamação do povo a canonização
de alguém. No século XVIII o Papa Bento XIV fixou o procedimento
atual de canonização, o qual tem três etapas.
Na primeira, é feito um levantamento na diocese da pessoa indicada
sobre suas virtudes morais e supostos milagres a ela relacionados.
Sendo a conclusão favorável os autos do processo de canonização
são enviados à Congregação dos Ritos, em Roma. Nesta segunda etapa
os autos são examinados pelo chamado “Advogado do Diabo” (que
tem a incubência de processar provas contra a pessoa indicada)
e pelo chamado “Advogado de Deus” (que tem a incubência de defender
o indicado). Após a aprovação o indicado é declarado “beato”.
A beatificação permite uma certa veneração. Se forem comprovados
pelo menos dois milagres associados à invocação do “beato” é feita
a terceira etapa onde o Papa, em missa solene, na Basílica de
São Pedro, canoniza o indicado, declarando-o “santo” e, portanto,
digno de veneração por parte dos fiéis católicos e lhe é conferido
um dia específico de culto.
A canonização de Madre Paulina passou por este processo. Amabile
Lúcia Visintainer nasceu em 16 de dezembro de 1865, na Itália.
Veio para o Brasil aos 9 anos com um grupo de imigrantes onde
fundaram Nova Trento em Santa Catarina.
Quando adolescente Amabile já se dedicava às obras de caridade
para com os pobres e doentes da região. Junto com duas amigas
fundou a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição e,
aos 20 anos, adota o nome de Paulina do Coração Agonizante de
Jesus, começando uma obra social com a fundação de escolas, hospitais
e asilos. Mudou-se para São Paulo em 1903 e em 1909 está em Bragança
Paulista onde vive até 1918 quando então retorna a São Paulo.
Em 1938 teve o braço direito amputado devido o diabetes e morreu
em 9 de julho de 1942, cega e paralítica.
Dias depois de sua morte já se comenta sobre milagres associados
a ela. Em 1991 o Papa João Paulo II declarou a beatificação de
madre Paulina em Florianópolis (SC).
A religiosa irmã Célia Cadorin foi a postuladora (espécie de advogada)
responsável pelo processo de canonização que teve por base dois
registros de milagres de cura de câncer ligados à invocação de
madre Paulina. A congregação a qual estava vinculada quer que
ela seja reconhecida como protetora das pessoas que têm câncer.
O dia de sua festa será 9 de julho, data de seu falecimento.
Cerca de 35.000 pessoas¹ de vários lugares do Brasil comemoraram
a canonização de madre Paulina em Nova trento, sua cidade natal.
E não pára por aí. Os católicos brasileiros querem mais santos
brasileiros! Quando esteve no Brasil em 1991 João Paulo II declarou:
“O Brasil precisa de santos e de muitos santos”. Dizendo “amém”
à declaração do Papa muitos brasileiros esperam mais canonizações,
entre eles Alexandre Motta, 20, que disse ao enviado da Folha
de São Paulo a Nova Trento: “Esperamos sinceramente que a trajetória
de outros brasileiros possa ser reconhecida. Queremos novos santos.”
Maria Santilha Gandolfi, 64, concorda com ele: “Aguardamos com
esperança novos santos.”
Existem cerca de 3.000 processos de canonização e beatificação
no Vaticano e entre eles cerca de 50 são de brasileiros ou de
pessoas falecidas no Brasil. Destes, já atingiram a beatificação:
frei Galvão (1739-1822), padre José de Anchieta (1534-1597) e
trinta católicos massacrados por índios e holandeses em Pernambuco
no século XVII.
Vista por este ângulo a canonização de brasileiros passa a ser
vista como de interesse nacional. Quando um brasileiro é canonizado
o Brasil também está em destaque. É assim que a mídia secular
tem divulgado a canonização de madre Paulina, como se fosse um
prêmio, uma vitória para o Brasil, e não para uma religião em
particular. Isto parece muito positivo para o Brasil. Mas só parece.
A canonização da madre Paulina e a futura canonização de outros
mortos só podem trazer mais desgraças para o nosso país. Por mais
aparência positiva que tenham as canonizações são um estímulo
a um mal que assola nosso povo: a idolatria, o culto aos santos
e as suas imagens.
A canonização não é apenas uma homenagem a madre Paulina.
Pelo seu histórico, realmente ela merece ser lembrada como uma
pessoa que dedicou sua vida a ajudar aos doentes, pobres e idosos.
Mas daí a prestar culto a ela, é um exagero. Se tivéssemos que
canonizar todas as pessoas que fazem o bem ao próximo teríamos
que ter santos evangélicos, budistas, umbandistas e até mesmo
ateus!
E o cerne da questão não é se a canonização homenageia demais
a alguém. É que ela é um incentivo para que milhões de pessoas
no mundo ofendam ao seu Criador, prestando o culto que é devido
só a Deus, aos mortos.
O culto aos santos é condenado pelo princípio exposto em Romanos
1:25: “Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo
a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente.
Amém.”
A imprensa secular deu cobertura à canonização de madre Paulina,
fazendo um levantamento histórico e entrevistando diversas pessoas
ligadas ao fato. Mas ninguém consultou a Deus. Não se quis saber
qual é a opinião de Deus sobre o assunto. A opinião de Deus podemos
encontrar na Bíblia Sagrada: “Não terás outros deuses diante de
Mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma
do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas
embaixo da terra.” Êxodo 20:3,4.
“ Mas Jesus lhe respondeu: Está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás,
e só a
Ele darás culto.” Lucas 4:8; Estes textos mostram claramente o
que Deus pensa sobre prestar culto a alguém que não seja Ele.
Ele não apenas proíbe o culto a outros “deuses” como proíbe o
culto ao próprio Deus através de imagens. Portanto não importa
se as pessoas estão bem intencionadas ao cultuarem os santos;
não importa se elas entendem que agradam a Deus cultuando-O através
de imagens (fazer imagens devocionais de Cristo é fazer imagens
de Deus, o que é blasfêmia) ou cultuando os santos e suas imagens.
A boa intenção dessas pessoas é suficientemente má em não buscar
conhecer a vontade do Deus que elas dizem adorar. E não é falta
de oportunidade, pois a Igreja Católica Romana inclui a Bíblia
Sagrada como fonte de suas doutrinas. Ora, se isto está na Bíblia
e a Igreja Romana a tem como uma das fontes de sua doutrina porque
ela insiste em cultuar os mortos e suas imagens? É porque a outra
fonte da doutrina católica é a Tradição Eclesiástica (isto é,
a coleção de ensinos e práticas desenvolvidas à parte da Bíblia
pelos antigos teólogos, concílios e papas) e que têm autoridade
semelhante a Bíblia. E esta Tradição ensina: “Na trilha da doutrina
divinamente inspirada dos nossos santos padres, e da Tradição
do Espírito Santo que habita nela, definimos com toda a certeza
e acerto que as veneráveis e santas imagens, bem como as representações
da cruz preciosa e vivificante (...) devem ser colocadas nas santas
igrejas de Deus...” (O Novo Catecismo da Igreja Católica - pg.327#1161)².
Ou seja, a Bíblia Sagrada ensina uma coisa e Tradição Católica
ensina outra.
Pode-se servir a dois senhores? Cumpre-se na Igreja Romana o que
Jesus disse aos fariseus: “...jeitosamente rejeitais o preceito
de Deus para guardardes a vossa própria tradição.” Marcos 7:9
A Teologia Moral Católica ensina que um dos pecados contra a virtude
da religião é prestar um culto falso ao Deus Verdadeiro. O clero
romano procura minimizar essas contradições afirmando que existe
diferença no culto prestado a Deus (chamado latréia) e no culto
prestado aos santos (chamado dulia). Segundo eles, eles só adoram
a Deus, mas aos santos é devido um culto de veneração.
Só que Jesus disse que não só a Deus pertence a adoração mas também
toda forma de culto! (Mateus 4:10). Alguns teólogos católicos
dizem que a proibição do culto através de imagens era por causa
do politeísmo em volta de Israel. Hoje, já não se tem tal problema
e então pode-se utilizar as imagens como auxílio à fé sem se cair
no erro do politeísmo.
Tal interpretação é desmentida pelo sincretismo religioso existente
no Brasil e em outros países onde os deuses africanos e indígenas
são identificados com os santos católlicos pelo povo.
A recusa dos evangélicos em crer no poder da intercessão dos santos
e dos anjos não é apenas para sermos contrários aos católicos.
É porque esta crença é desnecessária. O culto aos santos não fazem
falta àqueles que oram ao Pai em Nome de Jesus.
Muitas pessoas recorrem aos santos porque acham que Deus ouve
a eles mais do que a si mesmas. Elas se sentem longe de Deus e
precisam de auxílio. Porém o Evangelho puro e simples, sem acréscimo
de tradições humanas, tem resposta para esses problemas:
A distância entre Deus e o homem foi abolida na mediação de Jesus
I Timóteo 2:5;
Na oração do Pai Nosso, Jesus nos ensina a irmos diretamente a
Ele (Mateus 6:9,13)
Realmente também a Bíblia ensina que não oramos como convém e
que portanto
precisamos de auxílio à oração. E nós temos esse auxílio na intercessão
de Jesus por nós (Romanos 8:26,27)
e na intercessão dos santos vivos, isto é, os demais irmãos na
fé em Cristo
(Efésios 6:18; Tiago 5:16).
Ora, quem tem todos esses recursos espirituais precisa de mais
alguma coisa?! Acaso precisamos ir aos mortos para pedir direção
aos vivos se temos o Deus vivo?!
(ver Isaías 8:19).
O livro apócrifo Sabedoria de Salomão, que faz parte do Antigo
Testamento aceito pelos católicos, retrata muito bem a incoerência
dos que cultuam imagens: “Entretanto, se quer rezar por seus bens,
casamento e filhos, não se envergonha de dirigir sua palavra a
este ser sem vida: para a saúde, ele invoca o que é fraco; para
a vida implora o que é morto; para uma ajuda solicita o que não
tem experiência; para uma viagem, dirige-se a quem não pode dar
um passo. E, para ter lucro e êxito em seus trabalhos e empresas,
pede vigor ao que nenhum vigor tem em suas mãos!” (13:17-19)
A canonização é um insulto a Deus. As pessoas que veneram os santos
dizem que amam a Jesus. Só que Jesus disse: “Aquele que tem os
meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama.” (João14:21a).
Amar a Jesus não é uma questão de sentimentos mas de obediência
a Ele.
Isto não é uma questão de diferença de idéias teológicas, pois
a veneração dos santos é idolatria cristianizada e por isso tem
trágica conseqüência para seus praticantes.
O texto de Êxodo 20:3-5 diz que Deus visitará, isto é, trará julgamento
sobre aqueles que praticam o culto das imagens. Um dos julgamentos
de Deus é permitir que essas pessoas tenham uma vida amaldiçoada:
“As imagens de escultura de seus deuses queimarás a fogo; a prata
e o ouro que estão sobre elas não cobiçarás, nem os tomarás para
ti, para que não te enlaces neles; pois é abominável ao Senhor
teu Deus. Não meterás, pois, coisa abominável em tua casa, para
que não sejas amaldiçoado, semelhante a ela; de todo a detestarás,
e de todo a abominarás, pois é amaldiçoada.” Deuteronômio 7:25,26.
Embora o contexto imediato desta passagem se refira a “deuses”,
ele também é aplicável à veneração das imagens dos santos, pois
tudo o que os pagãos fazem com as imagens dos seus deuses, os
católicos fazem com as imagens dos seus santos: beijam, se prostram
diante delas, acendem velas, fazem procissão, oram diante delas,
etc. Assim vemos que a canonização e a subsequente veneração de
imagens trazem maldição.
O capítulo 10 de I Coríntios trata de como os cristãos devem proceder
em relação a certos aspectos do culto idolátrico. Nos versículos
de 1 a 13 Paulo adverte que assim como Israel teve uma experiência
tremenda com Deus e depois se envolveu com a idolatria e isto
resultou em muitas mortes, os cristãos não devem também se envolver
com isto, e conclui: “Portanto, meus amados, fugi da idolatria.”
v.14.
Os textos seguintes mostram um fato aterrorizador: “ Que digo,
pois? Que o sacrifício ao ídolo é alguma coisa? Ou que o próprio
ídolo tem algum valor? Antes digo que as coisas que eles sacrificam,
é a demônios que as sacrificam, e não a Deus; e eu não quero que
vos torneis associados aos demônios.” (I Coríntios 10:19,20).
Vejam quanta desgraça pode trazer a canonização de alguém!!! Juízo
de Deus, maldição e associação aos demônios, que se aproveitam
da idolatria para enganar as pessoas e em seus lares propagar
o pecado, a destruição, os vícios, as bebedeiras, as contendas,
etc. A idolatria é uma das obras da carne (Gálatas 5:19,21).
A canonização de madre Paulina e de outros mortos só podem afetar
mais drásticamente nosso país, pois como vimos, Deus abomina a
idolatria e isto retém Suas bênçãos sobre o povo! (ver Isaías
59:1,2).
Não nos enganemos. As canonizações são idolatria, que tanto mal
traz agora como no futuro, pois os idólatras não herdarão o Reino
de Deus e serão lançados no lago da condenação eterna (I Coríntios
6:9; Apocalipse 21:8). Que tragédia!
Aqueles que veneram os santos, e portanto são idólatras, viveram
na terra como amaldiçoados e associados a demônios e ainda depois
serão banidos definitivamente da presença de Deus!!!
Se você pratica essas coisas, arrependa-se!!! Experimente a poderosa
intercessão do Santo dos Santos, Jesus!!!
Nós, evangélicos, devemos orar e evangelizar mais esse país. E
não nos esqueçamos de tratar os idólatras com amor. Antes de Jesus
falar a verdade para o jovem rico, Ele o amou (Marcos 10:21).
Evidentemente, que nós evangélicos podemos não fabricar imagens
de escultura, mas podemos nos tornar idólatras. A avareza também
é idolatria (Efésios 5:5; Colossenses 3:5). Tudo aquilo que adoramos
no lugar de Deus é idolatria. Assim podemos idolatrar nosso ministério,
nossa igreja, nossa denominação, ou qualquer coisa ou alguém que
tenha mais prioridade em nossas vidas do que a prioridade devida
ao Senhor Deus.
Portanto concluímos com as palavras do apóstolo João: “Filhinhos,
guardai-vos dos ídolos.” I João 5:21.
Graça e Paz
Joalsemar Araujo