Superando a si mesma (Parte I)
Capítulo 2 - Livro "O que não é para sempre"


Quando uma mulher supera a si mesma? Vasti, poderia ter se superado, mas por que não o fez? Uma pessoa só consegue superar seus limites quando coloca de lado a própria vontade, o “eu”, o desejo de reagir de acordo com as circunstâncias.

Imagine que você tenha um machucado, um ferimento, e alguém vai lá esbarra nele, sua reação imediata será reagir em defesa de si mesma, reclamando ou até insultando a pessoa que esbarrou no local de sua dor. O orgulho ferido dói, a decepção é imensamente dolorosa, a frustração, ter de lidar com o insulto ou com a falta de consideração, são situações que afligem e amarguram. Portanto, saber estar acima destas coisas é superar a si mesmo, é ter uma visão ampliada acerca das circunstâncias.

Imagino porque a rainha Vasti não atendeu a ordem do rei Assuero, ela deve ter pensado no marido e em todos os seus aliados bêbados, embriagados a ponto de mal conseguirem ficar de pé. Sendo assim, ela tinha todo o direito de recusar aparecer, afinal, o próprio Assuero fez questão de deixar que o vinho fosse servido de acordo com a vontade de seus convidados.

Dava-se-lhes de beber em vasos de ouro, vasos de várias espécies, e havia muito vinho real, graças à generosidade do rei. Bebiam sem constrangimento, como estava prescrito, pois o rei havia ordenado a todos os oficiais da sua casa que fizessem segundo a vontade de cada um (Et 1: 7,8).

Naturalmente que Assuero não estava agindo com sensatez, e sua esposa achou por bem dar uma resposta a altura. Mas a posição ocupada por Vasti diante de todo um reino, não lhe permitia aquela resposta: Não, eu não vou! Ela deveria ter ido até ele, independente de sua bebedeira, humor ou qualquer outra coisa. Sua replica repercutiu entre imponentes e importantes amigos do rei, se fosse nos dias de hoje a atitude da rainha sairia em tudo quanto é revista e jornais:

A rainha Vasti não somente ofendeu ao rei, mas também a todos os príncipes e a todos os povos que há em todas as províncias do rei Assuero. Porque a notícia do que fez a rainha chegará a todas as mulheres, de modo que desprezarão a seu marido (...) Hoje mesmo, as princesas da Pérsia e da Média, ao ouvirem o que fez a rainha, dirão o mesmo a todos os príncipes do rei; e haverá daí muito desprezo e indignação (Et 1: 16,17,18).

A confusão estava armada e não havia mais nada que Vasti pudesse fazer.
Nos dias de hoje não é tão diferente. É fácil ser uma boa esposa se o marido for bondoso, leal, cortês, uma pessoa que sabe ouvir e compreender. Mas e quando ele chega em casa “atravessado”, tão ranzinza e mal-humorado que o tempo fecha quando ele se coloca porta-adentro. A esposa tenta puxar conversa, saber o que está acontecendo, e ele se tranca ainda mais. Então todos os sensores da mulher entram em ação e, após algum tempo neste tipo de convívio ela diz: QUERO O DIVÓRCIO!

De forma alguma é desta forma que se mantém um lar, uma família. Nesses momentos vale lembrarmos o quanto o amor está além do mero sentir, ele é uma questão de atitude, de decisão, não de emoção. Nossas emoções aguçadas pelas circunstâncias tendem a nos enganar.

A real expressão do amor vemos descrita em 1 Coríntios 13:

O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta (1 Co 13: 4-7).

Vasti não quis ir até Assuero, embora ele a estivesse chamando. O marido irritado após um dia de trabalho enfadonho, pode não expressar muita gentileza, ao contrário, pode ser até bem arredio, contudo, ele quer que sua esposa o aceite, fique ao seu lado, embora às vezes nem transmita esse desejo em palavras. Uma guerra silenciosa se inicia dentro de casa e começam os ferimentos: orgulho ferido, coração despedaçado, e dói a chateação, a incompreensão, até que chegam a uma completa falta de comunicação. Faltou entre o rei Assuero e a rainha Vasti, uma adequada comunicação.

É importante lembrarmos que em todos os casamentos os vales existem, são perturbadores, e possuem vários nomes: pode ser a falta de dinheiro; um desentendimento no trabalho; uma doença; ansiedades; preocupações, e a própria tentação. Mas, se nesses momentos de vale, a mulher deixa de lado o marido, achando que no fundo é isso mesmo que ele quer, ela abre mão de lutar por sua família, pelo homem a qual disse que amaria na alegria ou na tristeza, na saúde ou na doença, na riqueza ou na pobreza.

A Palavra de Deus afirma: A mulher sábia edifica a sua casa, mas a insensata, com as próprias mãos, a derriba (Pv 14: 1). E o quando uma pessoa é sábia?

   
 
 
Autora do Livro "O que não é para sempre"
Capítulo 1
Pequenas coisas podem edificar ou destruir
Capítulo 2 - Parte I
Superando a si mesma
 
Capítulo 2 - Parte II
Superando a si mesma
 
Capítulo 3
A mulher ferida
 
Capítulo 4
O milagre que tocou a rainha Ester
 
capítulo 5
O que faz a diferença
 
Capítulo 6
Desafiando o medo
 
Capítulo 7
O pecado da omissão
 
CAPÍTULO 8
O que não é para sempre